Suinga: cervejaria prudentina aposta no gingado brasileiro
- 16 de mar. de 2017
- 4 min de leitura
A história é assim: Alguns amigos se juntam e decidem produzir uma cerveja artesanal, investem no gosto, criam o rótulo e se jogam. O enredo mais parece um episódio de Easy, série da Netflix que estreou ano passado, mas não, estamos falando da cervejaria Suinga.
Localizada na rua José Foz, em Presidente Prudente, a fachada, encoberta por grandes árvores, quase passa despercebida por olhos desatentos. Não para menos, assim como na série, a cervejaria fica em uma despretensiosa casa residencial. E é por isso que logo de início surge a dúvida se estamos mesmo no endereço correto. No entanto, é só entrar na primeira salinha à procura do entrevistado para perceber que sim, é lá que ocorre todo o processo de desenvolvimento da cerveja.
Envolta por caixas de rótulos e embalagens, Larissa, uma das fundadoras da Suinga, logo abre as portas da cervejaria para mostrar aonde acontece a mágica. "É aqui que criamos os sabores, as receitas... Se estiver bom, enviamos para a Landbier produzir em grande escala...", diz ela no tour que mostra os detalhes do lugar. E a casa, que a princípio parecia uma residência normal, logo revela toda a sua potencialidade. Com um quintal amplo, o espaço é divido entre a câmara fria e uma pseudo garagem de produção, é ali que também acontecem os eventos que divulgam os novos sabores da marca.
O percurso, agora rumo ao escritório, segue por uma escada em espiral. No meio do caminho, um animado e curioso Golden Retriever acompanha o trajeto até chegar na saleta de decoração jovem, com quadros e certificados de qualidade pregados na parede. Três computadores lado a lado dão o toque empresarial ao lugar. A burocracia acontece ali, assim como a entrevista.
A história
Larissa explica que a ideia de montar a cervejaria surgiu do temido trabalho de conclusão de curso de um dos sócios, o Raphael. Com o tema que estudava a produção de cerveja artesanal, ele, que estava se formando em engenharia química pela UEM (Universidade Estadual de Maringá), começou a se interessar cada vez mais pelo assunto. No decorrer do tempo, ao se dar conta que o fascínio pela produção artesanal de cerveja só aumentava e a insatisfação com o respectivo trabalho só diminuía, Raphael, juntamente com a namorada (Larissa) e um amigo (Guilherme) decidiram jogar tudo para o alto e investir de vez na Suinga.
Com quatro tipos de cerveja no catálogo, cada uma representando uma das quatro grandes escolas cervejeiras do mundo, a Suinga investe em uma linguagem jovem e com bastante brasilidade para expor seu produto. E isso não por acaso, segundo a Larissa, a ideia surgiu após eles realizarem um curso de produção de cerveja na Alemanha e perceberem como o Brasil é um país miscigenado e harmônico. "A gente sai fora do Brasil e vê o que o país tem de mais legal, né? A questão da diversidade, de ter povos de todos os cantos do mundo vivendo junto, convivendo numa perfeita harmonia foi a nossa inspiração".

Em menos de um ano de mercado - eles iniciaram os trabalhos em agosto de 2016 -, a aceitação tem sido boa. Isso se dá pelo cuidado que eles têm em apresentar ao consumidor uma cerveja que condiz com o clima da cidade. "Não adianta fazer uma cerveja de alto teor alcoólico para cá, ninguém vai beber, tem que ser uma cerveja mais refrescante por ser uma cidade mais quente".
Além deste cuidado com a cerveja, Larissa explica que o intuito da Suinga é inserir a cultura do chopp no mercado prudentino, que ainda caminha a passos lentos. Para ela, o chopp combinaria muito mais com a temperatura da cidade, por ser uma bebida mais leve, mais fresca. Para ajudar nesta aceitação, os eventos na cervejaria são em sua maioria voltados para apresentar as qualidades deste produto em especial.

A exemplo disto, a ideia agora é implantar em todo segundo sábado de cada mês um evento chamado growler day, que busca apresentar o growler, um garrafão de 2 litros em que a pessoa pode pegar o chopp e levar para casa e beber quando quiser.
Pontos de venda
Presente em mais mais de 20 pontos de vendas em Presidente Prudente, entre mercados, bares, emporiuns e conveniências, a cerveja Suinga visa atender não só o público prudentino. De acordo com a Larissa, a distribuição também é realizada para outros Estados, tais como Paraná, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Rio de Janeiro.
Os preços, como de praxe em cervejas artesanais, não são tão acessíveis. O valor é algo em torno de R$ 17,00 por garrafa.
Regulamentação
Diferente do que acontece na série Easy, que tem o produto barrado devido a falta de normatização, a Suinga não passa por este problema. Cada receita da cervejaria é devidamente regulamentada pelo ministério da agricultura, o órgão que rege as regras para este tipo de produto.
Por fim
E é assim, investindo em uma linguagem jovem, com uma pegada bem brasileira, sem perder a responsabilidade para com o cliente, que a Suinga tenta alcançar o seu espaço no mercado. Se vai conseguir, só o tempo dirá. Em todo caso, o caminho está sendo traçado de maneira inteligente e com bastante gingado.





Comentários