Social Vegana: coxinha de mandioca com carne de jaca
- 22 de abr. de 2017
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A professora Elizandra Martins, 36 anos, que cedeu entrevista sobre veganismo ao Foca & Foodie há cerca de um mês, convidou nossos repórteres para conhecerem um prato curioso e que gera certa dúvida quanto ao seu sabor. A carne de jaca é exatamente o que o nome diz. Devido à sua consistência fibrosa, após ser cozida com casca por cerca de 20 minutos, a fruta adquire uma coloração e aparência que se assemelha à carne de frango.
Coxinha de mandioca com recheio de carne de jaca era uma das opções do menu preparado pela docente que, além deste, cozinhou junto com amigos torta com massa de grão de bico e recheio de queijo vegano (feito com mandioca), pizza de palmito, quibe de berinjela assado, bolinho de cebola sem glúten, para comer com geleia de pimenta feita pela própria vegana.
Em meio a um gole e outro numa taça de vinho, ela conta sobre como as amigas convidadas para o jantar - todas com uma dieta cuja carne é o produto principal - ficaram receosas com o curioso salgado de recheio no mínimo inusitado, ao passo que a jaca e a mandioca pegam pressão, cada qual em sua panela.
Após cozer, a jaca agora com cor amarronzada é separada da casca e sementes, as quais Elizandra tira a fibra superior e come a noz, e a polpa é desfiada. O óleo já quente na panela é agraciado com a presença do alho picado que doura em questão de segundos, coloca-se a polpa dentro desta panela e tempera-se a próprio gosto.
Aqui, cominho, pimentão, tomate, cheiro verde, colorau, sal, pimenta calabresa, páprica picante e um pouco de orégano, são os ingredientes que dão sabor ao recheio, que não tem gosto de frango. "Eu não ousaria dizer que isso parece com frango, não tem nada a ver, tem gosto do que é, carne de jaca", diz a chefe de biblioteca e convidada do jantar Alexia Oliveira.
Com cor alaranjada devido ao colorífico, a falsa carne é reservada, enquanto com água, trigo, óleo e mandioca amassada, a massa da coxinha é feita. Na opinião deste que vos escreve, a parte mais difícil de todo o processo, definitivamente, é dar forma a coxinha. Com a mão na massa, percebo que deixar o salgado com cara de montinho e não como uma bola de tênis é um desafio, no qual a professora me auxilia.
Modeladas, passadas em água fria e farinha de rosca, as coxinhas são fritas em óleo quente e descansam em folhas de papel toalha brancas. Admito, precisei pegar uma para provar enquanto Elizandra fritava as últimas porções.
É possível comer a massa assim, pura, de tão saborosa que é, mas quando há essa mescla com o recheio de carne de jaca, o sabor é acentuado de tal maneira que senti vontade de passar por debaixo da mesa, enquanto proclamava um sonoro "hummmmm". Porém, por vergonha e talvez um pouco de profissionalismo, não o fiz. Me permiti apenas o famoso "nossa, que delícia". E, realmente, estavam uma delícia... Todas as cinco coxinhas que comi!

Vegana, a professora diz que a cada novo prato que tenta fazer, se surpreende ainda mais com a dieta sem derivados de animais e convida os que ficaram receosos com a iguaria a tentarem fazer em casa e, assim, desmistificar a ideia que o diferente é ruim.

















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